TIC se destaca pela organização no Paraná e impulsiona resultados da indústria

Um setor transversal, que se interliga com todos os outros segmentos da economia, estratégico para aumentar a produtividade de qualquer empresa e com enorme potencial para a geração de empregos de alta qualificação. Assim é a indústria de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que tem no Paraná um dos principais polos do País.

Atualmente, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, o setor de TIC conta com quase 2 mil estabelecimentos no Paraná, que geram 24 mil postos de trabalho. São empresas que desenvolvem softwares e soluções para auxiliar e aumentar a eficiência de qualquer tipo de atividade produtiva, seja na indústria, agronegócio, comércio, setor de saúde ou financeiro. “Historicamente, sempre estivemos integrados com os demais setores, porque nossas soluções são desenvolvidas para outras áreas”, explica Adriano Krzyuy, presidente da Assespro-Paraná, associação que representa as empresas do setor no Estado.

A opinião é compartilhada por Marcus Von Borstel, presidente do Sindicato da Indústria de Software do Paraná (Sinfor), entidade filiada à Fiep, com sede em Londrina e que representa empresas do setor na Região Norte. Ele acrescenta que as empresas de TIC trabalham justamente para alavancar a competitividade dos demais segmentos. “A gente entende que a tecnologia e o software são os grandes diferenciais para uma empresa ser mais competitiva que a outra. E é isso que nosso setor proporciona”, afirma.

Arranjos produtivos

Além da grande diversidade de produtos e serviços, outra característica que contribuiu para o crescimento da indústria de TIC no Paraná é a forte união dos diferentes atores que se envolvem com o setor. Isso fez com que, a partir de 2006, fossem criados seis Arranjos Produtivos Locais (APLs) de TIC no Estado. O primeiro, em Londrina, lembra Von Borstel, graças a uma articulação entre empresas e entidades como Sebrae, Sistema Fiep, Associação Comercial, instituições de desenvolvimento tecnológico, prefeitura e universidades. “Um APL não é instaurado, ele é formado quando já existem esses atores trabalhando em prol de um setor numa mesma região. E em Londrina aconteceu justamente isso”, explica.

Nos anos seguintes, por influência também do governo estadual, novos APLs de TIC foram oficializados em Curitiba, Ponta Grossa, Maringá, Cascavel e na Região Sudoeste. Este último, um dos que vem ganhando destaque por seu crescimento, seguiu a mesma fórmula de articulação entre diferentes atores. O empresário Itamir Viola, presidente da Viasoft, uma das precursoras do setor em Pato Branco, conta que as primeiras empresas começaram a surgir após a abertura de cursos superiores de processamento de dados. “As lideranças políticas também lançaram várias iniciativas para incentivar o setor, primeiro com a criação de incubadoras, depois com um Parque Tecnológico, e as pessoas formadas começaram a ser alocadas nas empresas já consolidadas ou nas novas que surgiam”, explica.

Benefícios para a indústria

O caso da Viasoft é exemplar para mostrar o potencial de geração de negócios do setor de TIC. Criada como uma pequena empresa, há 10 anos tem alcançado sua meta de crescer 30% ao ano, segundo Viola. Hoje, emprega 350 pessoas, que atuam tanto no desenvolvimento de softwares quanto no suporte aos clientes, na matriz e em duas unidades em Curitiba. Uma delas, a Viasoft Korp, especializou-se no desenvolvimento de uma solução para processos industriais. A ferramenta oferece recursos de análises e simulações em tempo real, ampliando o controle sobre todas as etapas de produção e gestão. “A partir do momento em que nos especializamos em determinados setores, temos um nível de aderência maior com as necessidades do cliente”, afirma Viola.

Soluções como essa, desenvolvidas para otimizar recursos e aumentar a produtividade das indústrias, serão cada vez mais exploradas pelo setor de TIC. Principalmente com a disseminação do conceito de Indústria 4.0, que pressupõe uma digitalização cada vez maior dos processos produtivos e das relações do consumidor com o produto e a empresa. Para Adriano Krzyuy, essa necessidade fará com que haja uma integração cada vez maior entre empresas de TIC e o setor industrial. “Não há como desenvolver soluções se não estivermos integrados e respirando o problema dessa indústria, para que possamos apresentar uma solução inovadora e que traga resultados, com diferencial competitivo e custo-benefício apropriado”, afirma.

Exportações

O sucesso que a Viasoft já alcançou no Brasil atendendo empresas de diversos setores, incluindo cerca de 400 indústrias, fez com que a companhia vislumbrasse novas oportunidades também em países vizinhos. Há dois anos, abriu uma unidade no Paraguai, tendo adaptado suas soluções de acordo com a legislação daquele País. E já tem planos de expansão para outras partes da América Latina.

Esse é apenas um exemplo do potencial do setor de TIC paranaense para explorar outros mercados. Atualmente, de acordo com levantamento realizado pela Assespro-Paraná em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Estado é o segundo principal exportador de TIC, ficando atrás apenas de São Paulo. “No geral, o Brasil é importador de serviços de TIC”, explica o professor Victor Pelaez, responsável pelo estudo. “São Paulo é o maior exportador do setor, mas tem uma relação deficitária, já que tem muitas multinacionais que importam softwares e serviços. O Paraná é um exportador líquido, tendo superávit na balança comercial desse setor”, completa.

Krzyuy diz que a capacidade exportadora do Paraná se deve, em grande medida, aos investimentos feitos pelo setor em modelos de qualidade de software, como o MPS-BR e o CMMI. “Hoje, o Paraná é o estado com maior número de certificações MPS-BR, à frente inclusive de São Paulo. A partir do momento em que você tem qualidade, você exporta muito mais”, afirma.

Esse grande número de certificações, por sua vez, foi possível pelo fato de o Paraná possuir várias instituições de pesquisa e desenvolvimento na área. Uma das principais é o Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação, instalado em Londrina. “O IST foi o agente que impulsionou tudo isso”, completa Marcus Von Borstel. Esse cenário, segundo ele, também tem contribuído para que o Paraná consiga atrair investimentos de grandes empresas internacionais da área de TIC. Hoje, dois dos maiores grupos de tecnologia do mundo, o francês Atos e o indiano Tata, estão instalados em Londrina.

Entraves e desafios

Apesar do panorama favorável, há espaço para que a indústria de TIC do Paraná avance ainda mais. Adriano Krzyuy e Marcus Von Borstel concordam que, além das velhas questões de melhoria do ambiente de negócios do País, que dependem de reformas e políticas públicas, um dos principais desafios para o setor é aprimorar a formação e qualificação de profissionais para as empresas. “Temos uma dificuldade grande ainda em contratação de pessoas com fluência em um segundo idioma.

Outro ponto é a formação de lógica e matemática, fraca em grande parcela dos entrevistados”, justifica Krzyuy. Von Borstel aponta ainda a necessidade de o setor se voltar cada vez mais para o mercado externo. “Mesmo com o Paraná
sendo o segundo maior estado exportador, é preciso incentivar as exportações. Como o mercado brasileiro é um dos
maiores do mundo em consumo de software, os empresários acabam não tendo desejo de exportar. Então, fazer com que a gente tenha de fato essa vocação exportadora é outro desafio”, explica.

Fonte: Indústria em Revista – Sistema FIEP – Edição 19 – Jul a Set 2018

Clique aqui e acesse o PDF da matéria completa.