Tecnologias para ficar de olho em 2020

Todo dia existem mudanças acontecendo nas tecnologias já consagradas e novas tecnologias surgindo também.

Estar sintonizado com as transformações tecnológicas que impactam a forma como as pessoas se relacionam com as marcas e que podem também influenciar positivamente os negócios vem se tornando um desafio cada vez maior aos profissionais de comunicação e marketing.

Todos os dias, afinal, há mudanças acontecendo nas tecnologias já consagradas e novas tecnologias surgindo também. Pensando nisso, a partir do estudo de tendências e observação comportamentais, aqui na REPENSE levantamos os 10 assuntos-chave para ficar de olho em 2020.

1. Hiperautomação (RPA: Robotic Process Automation)

Hiperautomação é a combinação de múltiplas ferramentas de aprendizado de máquina, software empacotado e automação para simplificação do trabalho. De acordo com o Gartner, a RPA tem superado os demais segmentos do mercado de software corporativo em todo o mundo, com receita estimada de US$ 1,3 bilhão neste ano.

Com um caminho comprovado para a geração de valor para os negócios, a expectativa é de que ainda mais empresas implementem iniciativas de RPA nos próximos meses. Em comunicação, a automação já faz parte de diferentes processos: da automação de régua de e-mails à aceleração do processo criativo de campanhas, com destaque para a templatização de e-mails e montagem e edição de vídeos.

2. Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial não é uma tendência em si, mas a terceira era da computação. Ela faz parte de um ramo da ciência da computação que lida com a simulação de comportamentos por meio de machine learning. Automação, agilidade, precisão e, principalmente, predição são algumas das vantagens da IA que impactarão empresas de toda e qualquer categoria.

De acordo com o Gartner Group, 87% das organizações estão buscando algum nível de personalização da sua comunicação e é justamente a IA que tornará possível que as experiências digitais e físicas se tornem hiperpersonalizadas, indo muito além da análise dos cliques e do histórico de navegação, passando a entender e prever como os clientes reagem ou se sentem. Segundo Kai-Fu Lee – CEO da Sinovation Ventures (empresa fomentadora de startups que reproduziu em Pequim o cenário de inovação que hoje só existe no Vale do Silício) –, que esteve recentemente no Brasil para lançar o seu novo livro “Inteligência Artificial”, a tecnologia computacional está aqui para nos lembrar exatamente do porquê somos humanos e ela vem nos liberar dos trabalhos repetitivos e braçais, que ocupam as mentes de quem deveria ter grandes ideias.

3. Consagração do uso de vídeos

O aumento da qualidade de conexão, a alta na oferta de conteúdo e a multiplicação de formatos de vídeos em várias redes sociais vêm proporcionando uma aposta crescente no uso de vídeos. Um estudo realizado pela Provokers indicou que o tempo gasto pelos brasileiros em vídeos on-line aumentou 135% entre 2014 e 2018.

Atentas a esse cenário, muitas empresas começam a apostar no formato para engajar clientes e colaboradores. A tecnologia de vídeo continuará a simular e melhorar a comunicação, agora com novos recursos, como a realidade virtual (RV) e outras tecnologias imersivas, especialmente quando as organizações trabalham para preencher as lacunas de talentos com equipes remotas.

4. Evolução no uso de tecnologias imersivas

Realidade Aumentada, Realidade Virtual, vídeo em 360 graus e hologramas fazem parte de nossa consciência cultural há muitos anos, mas ainda não se estabeleceram como tecnologias indispensáveis e onipresentes. Estas tecnologias são muito eficazes porque estão fundamentadas na aprendizagem experiencial e porque envolvem amplamente múltiplos centros de aprendizagem e de desempenho no cérebro, incluindo sistemas cognitivos, comportamentais, emocionais e experienciais.

5. Cibersegurança

Os consumidores estão cada vez mais conscientes de que suas informações pessoais são valiosas e exigem controle. As organizações reconhecem o risco crescente de proteger e gerenciar dados pessoais, e os governos têm implementado legislações rigorosas para garantir que as empresas façam esse controle, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que deve entrar em vigor até agosto. Transparência e rastreabilidade são elementos críticos para apoiar essas necessidades de ética e de privacidade digitais.

Com apoio adequado de advogados especialistas no tema, entender a nova legislação e integrar suas equipes de tecnologia, processos, comunicação e marketing às mudanças que devem ocorrer na forma como sua marca se relaciona com as pessoas será agora condição sine qua non para todo e qualquer trabalho digital e de CRM.

6. Impulsionamento do uso de reconhecimento de voz

Até este ano, metade de todas as buscas será por voz, aponta pesquisa da ComScore. A chegada da Alexa da Amazon ao Brasil veio impulsionar e democratizar ainda mais este acesso. Nesse novo mundo baseado em voz é preciso entender o que o consumidor está buscando e pensar em conteúdos e serviços que de fato resolvam algum de seus problemas, inserindo sua marca nesta nova tecnologia de forma relevante e inclusiva e não de maneira interruptiva e intrusa.

Importante lembrar que reconhecimento de voz não se trata apenas de “conversar com um alto-falante inteligente”, pois as interfaces de voz estão agora em toda parte, de eletrodomésticos inteligentes a quiosques interativos no ponto de venda. Paulatinamente, os consumidores terão a expectativa de falar com mais frequência do que digitam e isso afetará todas as empresas de entretenimento, mídia e tecnologia;

7. Crescimento dos podcasts

Apesar de já existirem há algum tempo, os programas em áudio têm se tornado uma ótima forma de obter alcance orgânico. É um formato que permite oferecer algo às pessoas sem, necessariamente, pedir algo “em troca”. Um podcast pode agregar valor e conteúdo, demonstrando a autoridade de uma marca sobre o seu mercado.

Com a popularidade dos podcasts, audiolivros e outros conteúdos auditivos crescendo ao lado do processamento de linguagem natural e controle de voz, veremos também mais jogos de áudio, histórias interativas e outros produtos e serviços de áudio dinâmicos e responsivos entrando no mercado;

8. Consagração dos chatbots (e “brand avatars”)

Aqui existe uma renovação considerável da execução dessa tecnologia. Até o final de 2020, os chatbots serão responsáveis por 85% dos atendimentos ao cliente. Eles são excelentes para resolver questões práticas, em que não é necessária a intervenção humana.

Consumidores prestarão mais atenção às marcas que se incorporam por meio de novos personagens e avatares virtuais, permitindo que eles habitem os canais digitais de maneira mais rica, imersiva e humana. Afinal, eles já estão se acostumando a ter relacionamentos significativos com entidades movidas à Inteligência Artificial, indo, além do e-commerce, em direção ao bem-estar, criatividade e até à necessidade humana de companhia;

9. Reconhecimento facial

De acordo com um relatório de pesquisa da empresa de inteligência de mercado Component, o mercado global de reconhecimento facial deve crescer de US$ 3,9 bilhões em 2019 para US$ 7 bilhões em 2024. Estamos cercados por câmeras, alto-falantes e vários outros dispositivos inteligentes que nos monitoram em tempo real, o tempo todo.

Estes sistemas de reconhecimento utilizam centenas de pontos de dados diferentes para identificar, monitorar e prever nossas próximas ações prováveis, tanto on-line quanto no mundo físico. Existe um valor tremendo em toda essa descoberta. Afinal, o reconhecimento persistente permite que as empresas aprendam mais sobre os consumidores e forneçam a eles um nível de personalização que não poderia ser alcançado em escala de nenhuma outra maneira.

10. Fusão das mídias sociais com o e-commerce 

Muitas marcas ainda gerenciam suas estratégias de mídias sociais e e-commerce de forma independente e paralela, quando, na realidade, já deveriam ser absolutamente integradas e interdependentes. Em 2020, o e-commerce e as mídias sociais irão se unir definitivamente.

O Instagram, por exemplo, divulgou, em 2019, o Instagram Checkout, que oferece aos usuários a conclusão de suas compras dentro da plataforma. Isso evita que o cliente tenha que logar em outro site ou aplicativo para concluir sua aquisição.

Além destes pontos, você provavelmente terá outros para acrescentar. Mas, lembre-se: o excesso de informação, ao invés de ajudar, pode imobilizar também. Por isto, identifique e priorize as tecnologias com maior influência e impacto no seu setor de atuação, cerque-se de bons profissionais e parceiros, tenha muita coragem para sair da sua zona de conforto e não tenha receio de testar, errar e aprender, afinal, o mundo de hoje vive em BETA e o bom continua sendo INIMIGO do ótimo.

*Otavio Dias é sócio e CEO da REPENSE

Fonte: IT Fórum 365.