Setor de TI deve crescer 20% em 2020

Especialista alerta, no entanto, que nem todos vão se dar bem.

O setor de TI deve crescer mais de 20% no ano que vem, mas é preciso tomar cuidado com o otimismo excessivo, pois nem todas as empresas estarão preparadas para tirar proveito disso.

Quem faz a projeção e o alerta é Dagoberto Hajjar, CEO da Advance Consulting, baseado na nova pesquisa da consultoria sobre o mercado brasileiro de TI, apresentada em primeira mão na Assespro-RS, em Porto Alegre.

Quando Hajjar perguntou à plateia quem achava que 2020 seria uma oportunidade, a grande maioria levantou a mão.

É uma reação típica do empresário de TI, principalmente quanto ao próprio negócio, e aparece na pesquisa em todos os anos, aponta Hajjar, mas acaba muitas vezes não se concretizando.

Segundo os dados atuais, os diretores e presidentes prevêem um crescimento entre 30 e 35% para 2020 em suas companhias. Entre os que responderam a pesquisa, 90% são do C level.

“O empresário de tecnologia sempre acha que a empresa dele vai crescer muito além da média do mercado, é uma dose de otimismo absurda. Se ele é muito otimista, vai gastar tudo que estava previsto na parte de marketing e investimentos. A grana não entra e resulta em uma margem baixa de lucro”, alerta.

Em 2010, o setor também cresceu 20% e, segundo Hajjar, exatamente o mesmo deve acontecer em 2020, inclusive os problemas gerados – principalmente com relação à mão de obra, que será o grande limitador no ano que vem.

“Na verdade, tudo que ficou represado em 2009 desaguou lá em 2010 e a mão de obra de repente sumiu do mercado. Aí as empresas grandes contrataram os funcionários das empresas pequenas, muitas empresas pequenas sofreram e a oportunidade virou ameaça”, relembra o especialista.

Hajjar chama isso de efeito de polarização, quando o dinheiro muda rapidamente de mãos para quem está preparado. Chegou a exemplificar que, a cada duas empresas, uma vai crescer muito e a outra vai decrescer.

Para ele, os negócios que vão tirar proveito do crescimento de 2020 são aqueles que estão olhando o mercado como uma oportunidade, acelerando o marketing, as vendas e inovando.

“A chave para todo processo é o planejamento, ter foco em vendas, entender o seu mercado e o seu cliente. O aprendizado dos últimos anos foi em vendas, agora tem que ser em marketing, usando ele com estratégia traçada dentro da empresa”, recomenda Hajjar.

Ainda segundo a pesquisa, as empresas com maior faturamento tendem a ser mais pessimistas com relação ao mercado. Por outro lado, aquelas que têm maior taxa de crescimento ao ano são pessimistas com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e extremamente otimistas com relação ao mercado.

Os empresários da área de hardware aparecem como pessimistas com relação ao PIB e ao crescimento do mercado de TI. Já na área de serviços, as empresas estão projetando 18% de crescimento esse ano e 22% para o ano que vem.

As companhias de software estão mais conservadoras para 2019, mas muito agressivas para 2020, quando deve haver um crescimento de software em nuvem bastante acelerado.

A previsão da Advance é de que, em 2020, a área de TI dentro da educação acelere, enquanto 2021 será ano dos negócios relacionados à saúde. A área do varejo deve acelerar somente em 2022, pois, segundo o consultor, está muito defasada no Brasil.

A Advance é uma empresa de consultoria e treinamento em gestão, marketing, vendas e canais especializada em empresas de tecnologia da informação e telecom (TIC).

Dagoberto Hajjar tem mais de 35 anos de experiência nas áreas de negócios e TI, com passagens pelo Citibank, ABN-Amro e Microsoft, onde foi o primeiro não americano a receber o prêmio de melhor funcionário pelas mãos de Bill Gates.

Em 2002, fundou a Advance, que conta hoje com mais de 2.500 clientes e mais de 50 pesquisas realizadas no mercado brasileiro. O empresário tem seis livros publicados, dois ebooks e participação como palestrante em mais de 150 oportunidades.

Fonte: Baguete