O que um projeto inovador precisa para receber recursos e apoio

Como um investidor Anjo e organizações que trabalham com aceleração de startups selecionam projetos para apoiar? A questão foi tema do debate que encerrou o primeiro dia da Semana Paraná Inovador, na noite de terça-feira (15), no Palácio Iguaçu.

No palco, Robert Jansen, CEO da OBR Global, aceleradora de startups com sede no Vale do Silício; Leonardo Jianoti, investidor do grupo Curitiba Angels; Adriano Krzyuy, presidente da Assespro-Paraná; Letícia Preuss, da Endeavor, e Rafael Tortato, do Sebrae, explicaram os critérios que utilizam para avaliar empreendimentos e o que consideram fundamental para transformar uma ideia em um negócio de sucesso.

Com mais de 80 investidores Anjo, a Curitiba Angels injeta capital financeiro e oferece uma rede de relacionamentos para alavancar empreendimentos. Ser um dos escolhidos para receber este apoio, porém, não é simples. “A cada 110 projetos selecionamos um para investir”, explicou Jianoti.

São 25 anjos por negócio, com ticket médio de investimento de cada um de R$ 25 mil. É um negócio de alto risco, mas também de alto retorno. “Nosso portfolio supera em 17 vezes o que aplicamos”, disse. A Curitiba Angels investe apenas em empresas que constroem valor, com empreendedores de perfil arrojado, inovador e realizador.

EXECUÇÃO – O presidente da Assespro-PR, Adriano Krzyuy, disse que a associação está criando um fundo de investimento para promover a inovação e elencou como principal característica de um empreendedor de sucesso a atitude na execução.

A opinião é compartilhada por Rafael Tortato, do Sebrae. Segundo ele, os principais critérios para identificar um empreendimento com potencial de sucesso são a capacidade de execução, o foco no problema e o talento do empreendedor para encontrar competências complementares a ele no mercado.

COLABORAÇÃO – O colaborativismo é outra característica importante, segundo os participantes do debate. As organizações que apoiam o empreendedor e os investidores Anjo oferecem, além de recursos e orientação, também uma rede de conhecimento e de pessoas capazes de alavancar projetos.

Por seu lado, os empreendedores com mais chance de sucesso são aqueles que compartilham suas ideias. “Não tenha medo de compartilhar. Quando mais você compartilha, maior a chance de engajamento”, explicou Tortato.

ESCALAR – Para as empresas maiores, que já passaram da fase de busca de orientação e de recursos iniciais, a Endeavor é o próximo passo. “Quando está na Endeavor a empresa está no desafio de escalar”, explicou Letícia Preuss.

Organização internacional de apoio a empreendedores de alto impacto, a Endeavor trabalha para dar velocidade e escala. “Temos um modelo escalável com potencial de crescimento acelerado”, contou Letícia. Segundo ela, a aceleração de crescimento é de, no mínimo, 100% no ano. Para o empreendedor, a orientação é enxergar oportunidades no mercado e não desistir.

Robert Jansen falou sobre a trajetória do Vale do Silício e como o Paraná pode se inspirar nela, mas sem perder sua identidade. “É possível desenhar um ecossistema inovador como o Vale do Silício nas condições locais”, afirmou. O foco, destacou, tem de ser a velocidade dos negócios. “Esse é o diferencial. A rapidez com que conseguimos transformar inovação em valor.”

OPORTUNIDADE – Os participantes do debate, que representam as frentes de apoio do ecossistema inovador do Estado, estarão presente todos os dias do evento para ouvir ideias e conhecer projetos inovadores. O evento é gratuito e aberto ao público.

A Semana Paraná Inovador segue até sábado, dia 19, no Palácio Iguaçu, em Curitiba.