Mulheres na TI: curitibana é CEO de uma das empresas de inovação e desenvolvimento mais importantes do Brasil

Cris Alessi está à frente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e foca na missão de transformar Curitiba em uma Smart City mundial.

Trabalhar no alto escalão de uma agência pública de inovação e desenvolvimento econômico, fazendo o networking entre os setores públicos e privados, não é uma tarefa fácil para qualquer pessoa.

Para Cris Alessi, esse é um desafio que foi encarado com maestria e seriedade. CEO da Agência Curitiba de Desenvolvimento e parte do Conselho de Mulheres em Tecnologia, a curitibana é uma das protagonistas do ecossistema do Vale do Pinhão e trabalha duro em prol da inovação, tecnologia e desenvolvimento, especialmente na missão de transformar Curitiba efetivamente em uma Smart City. Acompanhe a entrevista que ela concedeu à Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PR).

Assespro-PR: Como foi sua entrada no mundo da tecnologia? Sua formação e sua trajetória de carreira.

Cris Alessi: Sou publicitária e há mais de 15 anos atuo com marketing digital. Iniciei a jornada de tecnologia em uma empresa de telefonia pela internet (solução voip), e depois em agências de publicidade desenvolvendo ações, plataformas e soluções digitais para clientes. Em 2013 entrei na área pública, na Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Paraná, e, em 2017, na Prefeitura de Curitiba.

Hoje, à frente da Agência Curitiba, apoiamos a Prefeitura de Curitiba na digitalização de serviços, na proposta de um “Governo como Plataforma” e no desenvolvimento do ecossistema de inovação da cidade com o Vale do Pinhão.

Assespro-PR: Poderia falar um pouco sobre a agência, principais objetivos e desafios?

CA: A Agência é uma empresa ligada à prefeitura que atua com programas de desenvolvimento econômico e inovação. Operamos em parceria com outros setores da gestão pública em políticas e programas que levem conhecimento, desenvolvimento, transformação digital e econômica para empreendedores e cidadãos de Curitiba e região metropolitana.

Com o programa Vale do Pinhão atuamos em cinco pilares: reurbanização e sustentabilidade; legislação e incentivos fiscais; educação empreendedora e digital; articulação do ecossistema de inovação; e tecnologia. A Agência se tornou uma referência nacional para projetos de Cidades Inteligentes e Inovação e o Programa Vale do Pinhão uma premiada ação reconhecida nacional e internacionalmente, colocando Curitiba entre as seis cidades mais inteligentes do mundo no City Awards, do Barcelona Smart City, e em primeiro lugar no Wellbeing Cities Award, do Canadá.

Assespro-PR: Como é ser uma mulher de destaque no mundo de tecnologia da informação (TI) e Inovação? Você encontrou muitos desafios pela frente?

CA: Creio que o caminho que uma mulher percorre no mercado de trabalho nunca é fácil. Quando se ocupa posições de liderança, são poucas mulheres na mesma posição, até como referência e apoio. Uma grata exceção é na Prefeitura de Curitiba, onde mulheres ocupam metade dos cargos de primeiro escalão. Por outro lado, tive líderes que me incentivaram e me deram autonomia para conquistar meu espaço e provar meu papel para o sucesso das empresas e projetos por onde passei.

De forma geral, mas ainda mais no mercado de tecnologia, precisamos quebrar as barreiras de ingresso da mulher – desde a formação até a presença nas diretorias e conselhos. E esse desafio não é apenas feminino, mulheres e homens precisam entender e trabalhar para a inclusão. Com ações diretas e assertivas.

Assespro-PR: Qual o legado que você gostaria de deixar?

CA: Acredito que o exemplo inspira, apoia e leva à ação. Exemplo de que é possível ocupar espaços tradicionalmente masculinos, exemplo de que podemos ser líderes e continuarmos com comportamentos femininos, que há formas de equilibrar a vida profissional com a importante tarefa de ser mãe. Mas, principalmente, o exemplo de que não precisamos ser supermulheres, que não precisamos ser perfeitas e que, ainda assim, podemos ser competentes e profissionais. Gosto sempre de falar: “se não der para fazer tudo, tudo bem. Sem culpa.”

Assespro-PR: Por fim, poderia deixar uma mensagem para as mulheres que trabalham e/ou gostariam de se envolver no meio de tecnologia e inovação?

CA: O setor de tecnologia é o que deve criar mais empregos nos próximos anos, quando os avanços nas áreas de robótica e inteligência artificial, Internet das Coisas (IOT) podem causar a automação de boa parte dos empregos do país. As mulheres não podem permanecer à margem de uma das áreas que mais cresce no mundo. Precisamos ser protagonistas na construção desse futuro que, sim, está sendo moldado com tecnologia. Precisamos e podemos!