Mulheres na T.I: Conheça a história de Mônica Berlitz, fundadora do Clube da Alice

Ela fala sobre o sucesso do clube e como a tecnologia das mídias sociais foi fundamental na criação de várias mulheres empreendedoras

Mônica Balestieri Berlitz sempre teve um olhar aguçado para oportunidades. Quando a vida parecia lhe pregar uma peça, ali aparecia uma chance de transformar a dificuldade em empreendimento.

E por esse caminho surgiu o “Clube da Alice”: um networking colaborativo onde mulheres podem empreender seus negócios e adquirir descontos em inúmeros produtos e serviços. Figurando entre os 5 grupos mais importantes do Facebook na América Latina, com mais de 550 mil seguidores e duas mil postagens diárias, o Clube da Alice é muito mais que apenas uma rede de descontos. É um ambiente onde a mulher pode sentir-se confortável e segura, seja para divulgar seus serviços e produtos ou adquirir vantagens de uma maneira totalmente voltada para as necessidades e vontades das mulheres.

Em um bate papo com  Ana Lúcia Bittencourt Starepravo, Diretora de Mulheres na Tecnologia da ASSESPRO e a jornalista Patrícia Stédile, Mônica falou um pouco sobre inicio do Clube da Alice e o importante papel que as mulheres devem desempenhar no mundo da tecnologia.

Leia a entrevista exclusiva: 

Assespro: Conte-nos como surgiu o Clube da Alice:

Monica Berlitz: Eu sempre gostei muito de arte e fotografia. Pensava em fazer Jornalismo, fiz 1 ano de Ciência da Computação e cursei Administração. 

A vida me levou por diversos caminhos. Com a minha mãe, montei meu primeiro empreendimento, uma franquia de ginástica cujo lema era ‘sem esforço’: um frisson na época. Depois adquiri uma franquia para venda de cosméticos. Contudo, tempos depois, decidi fazer o que gostava desde o início, mas nunca havia me dedicado: a fotojornalismo. Voltei a estudar e foi fazendo cursos que tive o primeiro contato com o Facebook. Por ali divulgava meu trabalho e recebia muitos feedbacks positivos.

Nesta época também iniciei a edição de uma revista de moda, que com o passar do tempo ganhou o nome de “Palpite da Alice”. Era preciso dar voz para as mulheres, e o nome veio muito a calhar. E lá fui eu divulgar a revista no Facebook.

Então fomos inseridas em um grupo sobre o universo feminino, com 2 mil participantes. Eu logo pensei: “Uau! este é um ótimo espaço para a mulher discutir e postar sobre inúmeras questões pertinentes ao seu universo. E veio a ideia: criar um ambiente seguro para que mulheres pudessem divulgar seus negócios e que houvesse facilidades e transparência para quem quisesse adquirir esses produtos. Estava dada a largada para o Clube da Alice.

Assespro: Como você percebeu o potencial das redes sociais para empreender algo tão grande?

MB: Estava tudo ali. Quando comecei a divulgar o Palpite de Alice no grupo com duas mil seguidoras, me dei conta do quão forte é a presença feminina nas redes sociais. Não existe mais aquela de que mulher não mexe com tecnologia. Com base nos interesses das leitoras, fazia sentido criar esse “clube”. Era a possibilidade de muitas delas mostrarem os seus produtos, e ainda mais, de encontrar coisas bem interessantes e comprá-las com a confiança de que não seriam enganadas. Não esperávamos um crescimento tão rápido.

Assespro: Na sua opinião, quais foram os maiores diferenciais do Clube da Alice?

MB: Bem, além dos descontos e oportunidades, foi a forma democrática do Clube. Não importa a classe social, renda, nada disso. O importante é a pessoa respeitar as regras do clube e ter postura no uso do clube. Temos desde de médicas que oferecem suas consultas, a serviços de beleza, confeitaria, moda, na verdade, tudo mesmo.

Assespro: As regras são muito exigentes?

MB: Não, mas somos exigentes no cumprimento delas. Por exemplo, permitimos 1 post comercial por semana.  Senão vira uma bagunça. Teve uma lojista no começo, que anunciava seus casacos o dia inteiro. Aí ficava complicado. Por isso temos uma equipe de moderadores que aprovam os posts antes de aparecerem. Esse pessoal trabalha duro.

AssesproAs mídias sociais têm um alcance gigantesco. Nos conte uma história de transformação proporcionada pelo Clube Da Alice

MB: São tantas. Tem uma “Alice” lá do Sítio Cercado que começou a anunciar bolos e doces que fazia. Pelas fotos dava vontade de sair correndo e ir comprar um bolo dela. E foi o que aconteceu. Pessoas da cidade toda começaram a ir até o Sítio Cercado para comprar os doces dela. O negócio cresceu, virou uma loja. Hoje já existe até um projeto de expansão para uma segunda loja no centro de Curitiba. Essa loja é o Império do Brigadeiro, aquele que tem o brigadeiro de 1 quilo.

Assespro: Porque tamanho investimento no Facebook e não em outras mídias sociais?

MB: Até temos um conta do Clube da Alice no Instagram e em outras redes. Mas, não funciona igual no Facebook. Lá o dinamismo é muito maior, e existe muito mais conversa, interação, fatos primordiais para o nosso clube.

Assespro: Conte-nos sobre o reconhecimento que o Clube da Alice recebeu dos gestores do Facebook.

MB: Foi maravilhoso. Um dia, tocou meu telefone e era o pessoal do Facebook. Falaram que estavam acompanhando o crescimento do clube e perguntaram se eu não gostaria de participar de um encontro em São Paulo, com o diretor responsável pela América Latina. Eu pensei: vamos lá. Vai estar cheio de gente, vai ser um mega evento. Chegando, éramos nós do Clube da Alice e outros cinco grupos apenas. Era um evento exclusivo, e recebemos a informação que estávamos entre as páginas mais relevantes da América Latina. Sim, chamamos a atenção do próprio pessoal do Facebook. A mulher quando se move, ninguém segura.

Assespro: Como você vê a participação das mulheres nos meios tecnológicos?

MB: Percebemos que a mulher tem cada vez mais presença neste contexto. Por exemplo, aqui no Clube da Alice, sempre procuramos em primeiro lugar programadores ou designer mulheres. Primeiro porque elas entendem melhor as nossas necessidades. Homens têm uma visão muito clean das coisas. A mulher entende mais das nossas demandas, dos detalhes e adornos necessários que precisamos em nossos designs. Mas, ainda é difícil achar. Quando aparece uma no mercado, ela é disputadíssima. Por isso incentivamos o empreendedorismo, mas também a capacitação da mulher nesse mercado de tecnologia que tanto cresce e que tanto precisa de nossas queridas Alices.