Fintechs ganham espaço com criação de produto para novas regras do BC

Marketplaces devem se adequar à nova regulamentação da autoridade monetária até o fim de setembro. Foto: 

Com parte dos marketplaces atrasados na adequação de seus sistemas às normas de liquidação centralizada, iniciativas sentem maior demanda. Processo pode ser mais custoso para envolvidos

Faltando um mês para a implementação das novas regras de liquidação centralizada do Banco Central, muitos marketplaces ainda estão inaptos e recorrem às fintechs para um produto específico às normas. Ambiente é de maior competição e possível alta de custos.Nesse cenário, as iniciativas financeiras já começam a sentir o aumento de demanda pela interface de comunicação com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), órgão responsável pela centralização das transações.Segundo o CEO do Moip, fintech de soluções de pagamento, Igor Senra, o produto já tem procura por parte dos marketplaces que “não querem se envolver” com as regulamentações impostas pela autoridade monetária.

“Somos a terceirização do contato dele com a CIP e já temos 250 marketplaces. O problema é que tinha muitos que estavam esperando para ver se o Banco Central mudaria a data e, agora que está claro que a data permanece, todo mundo começa a correr atrás do prejuízo”, comenta.De acordo com o CFO da Zoop, Dan Faccio, que afirma estar acompanhando todo o processo, no entanto, “claramente os marketplaces ainda não estão prontos”.O contexto da regulamentação aconteceu na medida em que o BC teve a percepção de que os marketplaces – que, de maneira geral, fazem o repasse dos pagamentos aos lojistas ou profissionais associados (como é o caso da Uber, do iFood e até mesmo do site Submarino, por exemplo) –, também estão envolvidos no fluxo financeiro das transações de pagamento com cartões.

“Muitas [empresas] entraram na linha de debate com o Banco Central para tentar uma negociação de prazos e condições. Assim, ter um produto específico de adequação para esses marketplaces acaba sendo uma vantagem competitiva para nós, por exemplo”, diz.A previsão da Visa, no entanto é que todos os marketplaces já estejam adaptados às novas regras dentro do prazo.“O Banco Central tem sido bastante claro na sinalização de que não irá adiar novamente. Existe um atraso, mas não deve ser a maior quantidade de casos”, comenta o diretor de relações governamentais da companhia, Gustavo Noman.

O posicionamento do Banco Central é de que as normas passem a valer no próximo dia 28 de setembro – antes, a data prevista era em quatro de setembro de 2017 – e a ideia é de que quem não se adequar, não conseguirá fazer novos pagamentos a partir de então.“Não é interesse do BC, porém, cortar ninguém desse processo, até porque isso pode significar impactos muito grandes aos lojistas associados”, pontua Noman, afirmando que “alguma flexibilização” no processo deve ser possível. “Mas isso é contar com a sorte. Quem acha que haverá novo adiamento, está jogando no risco”, complementa o diretor da Visa no Brasil.

As medidas servem apenas para arranjos de pagamento que apresentem valor total de transações superior a R$ 500 milhões acumuladas em 12 meses ou 25 milhões de operações no mesmo período. “A mudança requer melhores controles no processo de liquidação e pagamento e permite maior transparência”, comenta o diretor da First Data, Henrique Capdeville. “Ainda existem melhorias a serem feitas para se garantir um retorno mais rápido nas confirmações de pagamento, mas os principais benefícios já foram obtidos com a mudança”, acrescenta ele. Custos envolvidos Em questão dos custos do processo, por outro lado, as opiniões ainda são divergentes.De um lado, a percepção de que o projeto, por corresponder apenas a pagamentos de cartões, “duplicaria” os gastos daqueles nos quais grande parte das transações ainda é feita no boleto bancário.Um estudo do Sebrae, por exemplo, aponta que 75% dos e-commerces nacionais ainda oferecem o boleto bancário como forma de pagamento.

De outro, o conceito de que o menor gasto com liquidação e a maior segurança “mais do que compensam” os custos implicados na própria contratação da CIP – que além de tarifas de transações e prestação de serviços também inclui investimentos em tecnologias compatíveis ao novo sistema. “Em um universo onde a maior parte dos pagamentos ainda é feita por boleto, isso ainda significam custos duplicados”, pondera Senra.Para Noman, no entanto, os gastos de contratação da CIP tendem a ser feitos apenas uma vez e, por se tratar de uma entidade sem fins lucrativos, as tarifas tenham baixo valor.“Já houve, inclusive, uma redução dos preços cobrados pela CIP, até porque a ideia é exatamente o contrário. Além disso, o Banco Central tem trazido ideias grandes quanto à adoção de meios eletrônicos de pagamento e podemos, inclusive, esperar medidas que favoreçam a aceitação desses métodos”, conclui o diretor.

Fonte: DCI.

Edição: Assespro-Paraná.