Startups têm de ter ambição global, aponta especialista em negócios internacionais

Robert Janssen preside a OBr.global, uma aceleradora de startups e negócios internacionais, com expertise e foco na execução tanto para startups e organizações públicas e privadas. Participou de recente evento em Jaraguá do Sul. A OBr.global mantém sede no Rio de Janeiro, Silicon Valley e San Antonio (Texas- Estados Unidos). Criou um portfólio de inteligências para ajudar clientes a alcançarem novos mercados e acelerarem seus negócios, projetos e startups.

Desde os programas de capacitação até as imersões em mercados-alvo, do planejamento até a execução, do desenvolvimento de mercado até o acesso a investimentos e financiamento. Ele falou a centenas de empresários em Jaraguá do Sul, num evento que discutiu tendências e oportunidades. A seguir, o resumo da entrevista concedida à coluna.

Como avalia o ambiente de negócios para startups?

Robert Janssen – Há uma crescente de negócios pequenos, nichados, surgindo a partir de ideias e com bons projetos para crescer. Vivemos tempos de transformações rápidas e as empresas nascentes auxiliam nesse processo. Hoje a gente vê a difusão de tecnologias e o avanço exponencial de negócios com este foco. Empresas que não nascem com a visão de serem globais, com inserção internacional, tendem a não dar certo. Elas têm de ter parâmetros de valor já identificados com a percepção mundial. 

Como o Brasil se insere nesse processo?

Janssen – O Brasil faz parte de uma lista de 12 países com mais de 100 milhões de consumidores. E só três deles (Brasil, México e Estados Unidos) ficam no Ocidente. Os outros nove se localizam na Ásia. Essa circunstância é de extremo significado para os negócios. Há muitas chances de negócios a serem aproveitadas.

E qual é o desafio, tendo em vista este contexto?

Janssen – O desafio é o da competitividade. As startups – e as empresas em geral – precisam compreender que a proposta de valor deve passar por experiências dos usuários. Embora possam ter atributos diferenciados, é óbvio que os empreendimentos carregam uma carga cultural própria de seus fundadores, de seus líderes e do ambiente em que se inserem. Eles estão dentro de um contexto. Fundamental compreender isto.

No que não dá para vacilar?

Janssen – Não há como não conhecer os mercados. Saber como é o mercado é absolutamente essencial. Os executivos também têm de usar a inteligência – aquele conjunto de informações sobre mercado e a concorrência. Isso se faz pelo contato direto no exterior. E via pesquisas. Mas a lógica, o melhor, é ir diretamente aos lugares, conversar diretamente com teus parceiros e, assim, testar as diferentes possibilidades.

Como se sabe se uma startup vai dar errado?

Janssen – Pelo seu batismo. Se nascer com um nome em português, e não vislumbrar o mercado externo, a chance de dar errado é grande.

Por que ficar exclusivamente no mercado interno é um equívoco?

Janssen – O fato de ter inserção global desde a largada, te dará a necessária competitividade. E, também, porque esse olhar baliza o empreendimento com uma régua mais alta. As exigências do mercado internacional são maiores. E isso te torna, obrigatoriamente, melhor e mais competente para enfrentar a concorrência.

Investidor potencial deve escolher qual área de negócios para o empreendimento ter mais chance de êxito? 

Janssen – Não existe melhor setor. O investidor tem de ir para um mercado que conhece e, principalmente, que tenha conexão com a realidade pessoal e social. Fator essencial para os investidores optarem colocar dinheiro num ou noutro negócio é como enxergam os gestores do negócio. A equipe executiva tem de estar preparada. Recomendamos que o empreendedor busque algo que faça sentido para si e para a coletividade.

Por que algumas empresas sobrevivem e outras não?

Janssen – As micro e pequenas empresas respondem por mais da metade dos empregos com carteira assinada no país. No entanto, de cada 100 empreendimentos apenas 73 sobrevivem; os 27 restantes fecham as portas nos dois primeiros anos de funcionamento. As empresas que sobrevivem são as que investem em conhecimento e se comprometem com a execução. E, claro, estão verdadeiramente incluídas nos mercados em que atuam. Por isso, também buscam se organizar e planejar o seu desenvolvimento.

A exemplo das empresas, as cidades também “morrem”. Como deve agir o gestor público para isso não acontecer?

Janssen – Atuamos também junto ao Observatório Brasileiro de Cidades Inteligentes (OBCI), que tem como objetivo oferecer ao governo brasileiro, especialmente ao Legislativo, referências das melhores práticas para a criação dos modelos legais para a inovação e o regulamento da smart cities-friendly (cidades inteligentes amigáveis). Com sede no Vale do Silício, o órgão assinou há pouco mais de um mê, acordo com a Assespro Nacional (principal associação de empresas brasileiras de TI, da qual sou o vice-presidente de Relações Internacionais), pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ), pelo iCities Smart Cities Solution, com a chancela do consulado do Brasil em San Francisco, EUA.  Sim, as empresas têm de se reiventar, e se redescobrir como agente de promoção de riqueza coletiva.

Fonte: NSC Total.