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Sete empresas nacionais de software anunciam fusão.

 

Sete empresas brasileiras de software anunciaram hoje sua fusão numa nova corporação que se apresenta como uma das maiores companhias nacionais do setor. A Virtus será formada pelas companhias Automatos, Dedalus, Intelekto, Biosalc, Trellis, Visionnaire e Volans. Seu objetivo será consolidar um mercado muito pulverizado no setor, alavancando seu resultado não por uma sobreposição de atividades, mas por criar uma companhia com uma oferta de programas para gestão de tecnologia completa. Ela funcionará como uma softwarehouse que vai vender seus produtos para empresas que irão terceirizar os aplicativos ou utilizá-los em suas próprias estruturas de tecnologia da informação (TI).

Essa não é uma fusão de iguais, de empresas que fazem a mesma coisa. A idéia é criar uma oferta mais diversificada, não ganhar mercado aumentando o que já fazemos , diz André Fonseca, fundador da Automatos e agora presidente da Virtus. A fusão não tem a ver com sobrevivência, mas com aceleração (do nosso crescimento) , acrescenta.

A empresa, porém, nasce sem um plano de negócios definido. Segundo Fonseca, isso não é necessário. Para ele, a atuação de cada uma das empresas é tão complementar que não havia necessidade, para a fusão, de um plano de negócios fechado. Ele virá, afirma, com a integração das operações, com base em análises sobre quais tipos de atividades têm mais potencial para serem exploradas com bom retorno.

Fonseca explica também que neste ano ainda outras empresas deverão se juntar ao grupo das sete iniciais. Serão pelo menos três neste ano, e com todas o acordo já está sendo finalizado , diz. Antes de isso ser concretizado, formatar um plano de negócios não seria produtivo, já que o trabalho teria de ser refeito para abranger as novas integrantes do grupo mais para a frente, afirma.

Curiosamente, a fusão não envolve nenhum tipo de aporte de capital num primeiro momento. As sete empresas - que reúnem cerca de 20 empreendedores e três investidores institucionais (a Intel Capital, a SP Tech e a Ideiasnet) - simplesmente começarão a operar em conjunto, seguindo orientação do Banco Fator, que costurou o acordo. A primeira parte que será integrada será a de vendas, já que a companhia vê como fundamental unificar seu discurso para clientes, evitando confusões. A parte de desenvolvimento de softwares, porém, permanece intocada, com as unidades físicas atuais mantidas, apenas com a modificação no nome da empresa.

Mais para a frente vamos discutir planos de investimento e, daí, pode sair a necessidade de um aporte dos sócios , afirma. Segundo ele, o acordo de fusão impõe prazo mínimo de dois anos para permanência na sociedade. Estamos todos abraçados nessa pelo menos por dois anos , diz. Explicando como poderia ser financiado esse aporte, Fonseca não descartou a possibilidade de abrir o capital da companhia. Revela, porém, que não há ainda planos para isso. Hoje temos muito trabalho ainda apenas com a consolidação da fusão e em aproveitar as oportunidades que criamos com a junção das operações , explica.

O executivo afirma que uma das principais oportunidades que a nova empresa busca aproveitar é a pulverização do mercado de softwares no Brasil. Segundo ele, a facilidade de criação de uma softwarehouse no país - basicamente um programador com registro de micro empresa ou CNPJ já pode ser considerado uma companhia desse tipo - fragmentou demais o mercado, que buscou a sobrevivência em nichos. Não há nas listas de grandes empresas brasileiras uma empresa de software perto do topo. Elas estão lá embaixo, muito pequenas em relação a outras de segmentos diferentes , afirma. Isso deverá levar, inevitavelmente, a uma consolidação no mercado , afirma.

Outra possibilidade é explorar o mercado externo. Segundo Fonseca, com empresas muito pequenas e pulverizadas, o Brasil não tinha condições de desenvolver produtos e vendê-los no exterior. O apoio das embaixadas brasileiras não é suficiente na área comercial e as associações de exportação simplesmente não ajudam , diz. Como falta rede de relacionamentos às empresas brasileiras no exterior, fica caro vender lá fora. E sendo caro, quem é pequeno desiste de ir para o mercado externo , afirma. Ele aposta, porém, que criando massa crítica com a junção de várias softwarehouses, colocar produtos no mercado externo ficará mais fácil. Juntas as sete, o percentual da receita vinda de exportações fica em cerca de 10% do total, diz Fonseca.

O executivo não quis dar projeções de faturamento para o primeiro ano de existência da Virtus, uma vez que há muitos fatores que podem desviar a realidade da previsão, como a turbulência entre clientes atuais e em prospecção e mesmo a iminente incorporação de novas empresas. Ainda assim, diz que são previsões bastante positivas, e afirma que a receita conjunta das sete empresas originais, pro forma, foi de cerca de R$ 80 milhões no ano passado. Sem querer cravar como certo, chegou a sugerir que a receita da companhia pode ficar perto de 10% do mercado brasileiro atual, que movimenta anualmente cerca de R$ 1 bilhão.

Fonte: Valor online - 6/março/2008

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